Uma amizade perdida,
um dia na vida,
sem se saber onde foi parar,
sem o motivo se saber explicar.
Fiquei com o coração ferido,
porque a amizade verdadeira,
aquela que dura uma vida inteira,
tal como o amor, quando acaba,
deixa no peito uma dor.
Todos errámos.
Não podemos ninguém culpar.
Fomos nós que da amizade,
não soubemos cuidar.
Mas houve logo alguém,
que de certo ficou a rir.
Muita coisa se disse, muita coisa se especulou.
Mas como pessoas,
ocas que são ,não podiam pois então,
saber que um dia, inverteríamos a situação.
Hoje, são esses que sentem uma dor.
Mas não…
Não é dor no coração!
É dor de corno, o que nunca senti,
porque soube ser eu mesma ,
do principio ao fim.
Ter um amigo ou uma amiga,
é sabermos onde estão,
quando precisamos.
É estarmos lá, quando rimos,
e quando choramos.
É abraçar quando é preciso.
É saber chegar, quando a vida prega uma partida.
É de portas abertas, na sua casa ser recebida.
Se alguém pensou, por um momento só,
que esta amizade acabou,
lamento mas muito se enganou.
Só uma palavra a dizer, basta para quem não gostar:
AZAR!
Paula Loureiro
paulaloureiro — 17-10-2007 GTM 1 @ 19:42
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Esta noite sonhei contigo.
Amei-te debaixo
daquele teu luar.
Com as estrelas brilhantes
lá tão longe,
estive contigo sem te tocar.
É o encanto do sonho,
é o poder do pensamento,
que ninguém pode adivinhar.
É um segrego só meu,
que a ninguém vou contar.
Quando acordei,
não abri os olhos:
Queria continuar a sonhar.
Mas já não havia estrelas,
e muito menos luar.
Era o brilho do Sol,
que tinha de enfrentar.
Anseio que chegue a noite,
na esperança
de contigo voltar a sonhar.
E se por acaso,
isso não acontecer,
fomos amantes por uma noite,
sem ninguém saber.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 17-10-2007 GTM 1 @ 19:38
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Colhi uma flor que não foi semeada.
Levei para casa, sem ninguém dar por nada.
Coloquei-a numa jarra,
na janela com a vista mais linda que se possa imaginar!
Despedi-me dela e fui-me deitar.
Senti o seu perfume, enquanto dormi
mas foi ao acordar que vi
a tristeza que ela sentia.
Estava murcha, a minha flor,
colhida e tratada com tanto amor!
O que fui eu fazer, ao para casa a trazer!
Dei-lhe o melhor que tinha para lhe dar,
mas não pensei que da liberdade a privei.
No campo, mesmo presa ao chão,
sentia o ar da natureza
e era livre mesmo presa.
A minha flor pertence ao campo,
e ao campo a vou devolver.
Nem a mais valiosa jarra,
nem a janela com a mais bela vista que possa ter,
tem o direito de a prender.
Por muito que tenha sido desejada,
era flor que para a minha janela não estava guardada.
Com o mesmo carinho que um dia a fui colher
ao campo onde pertence, a vou devolver.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 17-10-2007 GTM 1 @ 19:35
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Gosto de ti com todos os teus defeitos.
Quero abraçar-te a toda a hora,
quero ficar, não me mandes embora.
Quero sentir esses teus braços fortes
que me aconchegam e que me magoam,
fazendo de mim um ser
que ri e chora sem saber
se te tem no momento seguinte.
Não me deixes, não me mandes embora
para destino incerto.
Aceito as tuas regras, mesmo que com elas não concorde
e submissa as vou cumprir,
quero ficar, não me deixes ir.
Deixa-me aproveitar tudo o que de bom
tens para me oferecer.
Quero continuar a viver.
Prende-me, porque sem dúvida sobre o que sinto,
a ti me declaro de cabeça erguida:
- Amo-te vida!
Paula Loureiro
paulaloureiro — 17-10-2007 GTM 1 @ 19:32
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Júpiter, rei dos deuses e dos homens
Deus do universo, governante do Monte Olimpo
que coração tens afinal?
Deixas Marte rei da guerra espalhar o mal.
Baco, Deus do vinho, amigo ingrato
companhia de muitos que quando com ele estão
deixam de saber quem são.
Deste a Apolo o Sol, como se fosse sua propriedade
ele patrono da verdade, da musica e da medicina
deixando alguns com a triste sina
de á sombra viverem .
Não fossem as mulheres do teu reino,
onde estava a inteligência e a sabedoria?
É Minerva que a tem., Deusa que não cresceu
pois foi adulta que nasceu.
E a caça? A protecção animal?
É a Diana que cabe a função.
Quem cuida da terra? E dos cereais?
És tu, Ceres, Deusa da semente que dá o pão.
Que falta fazem os homens no teu reino então?
Vens dizer que é o Cupido que espalha o amor?
Atirando setas que provocam dor?
É somente filho de Vénus!
Essa sim Deusa do amor e da beleza
nascida da espuma do mar e do sangue de Urano
casada com o Deus do fogo que destrói ao passar.
Provavelmente Vénus traiu
porque nesse teu reino não sentiu
um Deus, para no amor a acompanhar!
Paula Loureiro
paulaloureiro — 17-10-2007 GTM 1 @ 19:30
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Há fome perto de mim.
Pobreza humana, que castiga inócuos
que não pediram para vir ao mundo.
Há fome perto de mim
e sinto-me impotente, sendo uma na multidão
que nada consegue fazer.
Sinto a consciência pesada,
saber que a fome mora tão perto
e que eu não faço nada.
São pirralhos a crescer
à deriva na vida tão carrasca
de forma desumana a sentir
uma diferença que só pode engrandecer
a revolta de querer ser igual e não poder.
Dói – me o coração,
não poder acabar de vez com a pobreza.
Não ter solução para esta tristeza,
de saber que há fome perto de mim,
que o tempo vai passar
e o mundo vai continuar assim.
Não me conformo saber
que há fome perto de mim.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 17-10-2007 GTM 1 @ 19:27
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Há dias em que o desassossego da alma
não segura uma lágrima que cai
no rosto mascarado
onde mora a tristeza sem ser notada
mas presente, num semblante camuflado.
São lágrimas comprometedoras
que deixam transparecer o sentir
nos olhos fiéis
de quem não consegue mentir.
São dias em que o sentimento fala mais alto.
São momentos que surgem sem razão,
no meio de tantas razões
que não deixam explicar
o porquê de naquele momento
a lágrima pelo rosto rolar.
Vou deixa-la cair.
Essa e outra que não consiga salvar,
até que nenhuma mais me reste
para que nesta vida agreste,
o seu salgado não volte a provar.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 06-10-2007 GTM 1 @ 19:11
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Lembro-me dos teus olhos
gracejarem quando me viam.
Lembro-me dos teus pequenos abraços,
fortes e puros, como nunca mais senti em momento algum.
O teu acordar sorridente, ao olhares para mim
e veres que estava lá.
Lembro-me de sofrer cada vez que pensava que irias chorar.
Tratei-te como a minha princesa,
a quem dei o que podia,
procurando por todo o meu reino,
até encontrar o que a minha menina queria.
Tenho saudades de te embalar,
de no meu peito te aconchegar.
Mas a vida passa a correr,
e o meu bebé cresceu.
Hoje os teus olhos não sorriem só para mim.
Os teus braços procuram abraços
que não só os da tua mãe.
Espero que esse alguém não te faça chorar.
Que saibas enfrentar as batalhas da vida.
Que os teus olhos em cada acordar continuem a sorrir,
e que continues a ser princesa,
no reino que por ti vais construir.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 06-10-2007 GTM 1 @ 11:31
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Se a Lua e o Sol, sedentos de amor,
cansados de o implorar ao céu
que teima em não lhes dar,
se conseguirem encontrar,
tapem os olhos, que ninguém se atreva a olhar!
Ao mesmo tempo se fará dia e noite.
O brilho do Sol com o espelhar da Lua,
farão encandear, sem ser permitido a alguém criticar.
Quando se abraçarem,
quando os seus lábios se tocarem,
levemente que seja,
quando por um momento trocarem o amor
pelo vazio, de um peito cheio de dor,
retirem-se por favor!
Serão duas crianças envergonhadas,
vitimas de moralidades já formadas
lutando com a consciência, que os faz meditar
sobre a decisão que só a dois cabe tomar.
Retirem-se todas as estrelas.
Retirem-se todos os que no céu se encontrem a morar.
A Lua e o Sol, necessitam de se amar.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 06-10-2007 GTM 1 @ 11:28
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Concelho do Seixal, terra de pescadores,
banhado pelo rio Tejo,
onde outrora os varinos, eram senhores.
A Falua e a Muleta, eram sua companhia.
A falua transportava o povo,
a muleta, o pescado trazia.
E a ele chegaram,
marinheiros, calafates, carpinteiros de machado.
Foi assim com esta gente de trabalho,
que o Seixal foi povoado.
Viveu-se da seca do bacalhau,
construíram-se moinhos de maré,
foi vivendo assim o povo, não esquecendo a sua fé.
E assim, terra de seixos,
concelho por D. Maria II fundado,
escolheu o S. Pedro, para ser apadrinhado.
Neste concelho, onde não só o mar reinou,
na cortiça do seixal ,por todo o país se falou.
A Mundet, a Wicander,
fabricas onde muita gente trabalhou,
pouco ou nada, delas sobrou.
O vidro, os lanifícios,
também no Seixal se ouviu falar.
São coisas do passado, que muitos têm para contar.
Paulo da Gama, navegador,
homem de grande valor,
também daqui te viram partir,
em busca de terras para descobrir
Esta terra com tanta historia,
é hoje tão diferente!
Já as embarcações não são as mesmas,
já cá não mora a mesma gente.
Formado por seis freguesias,
este concelho de grande vaidade,
é para muitos dormitório,
de Lisboa, sua vizinha cidade.
É esta a minha terra, o concelho do Seixal.
Nem que em nome da historia seja,
não passem cá por passar.
Vejam a sua baia, parem para a saudar.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 06-10-2007 GTM 1 @ 11:22
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