Há alturas da vida,
que tudo e nada nos acontece.
Que por muito que se olhe,
só a escuridão é visível,
mas nem tudo é o que parece,
e quando se fecha os olhos
tanta coisa conseguimos ver!
Vimos o que queremos, sonhamos…
E enquanto o sonho se mantiver,
mesmo que só se consiga ver de olhos fechados,
a esperança de um caminho novo
não desaparece.
Quem sabe um dia,
se alguém acaba com a escuridão!?
Quem sabe se um dia,
os que não fazem o Sol brilhar
tarde demais o farão?
Fecha e abre os olhos
mas não deixes de sonhar!
Eu, enquanto sonhadora conseguir ser,
não posso acreditar,
que o amor só faça sofrer.
Paula Loureiro
19/12/2007
paulaloureiro — 20-12-2007 GTM 1 @ 17:48
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Percorro a ponte que liga as margens
da vida e do nada, em passo ritmado
caminhando para o desconhecido
onde o destino me leva.
Pelo percurso vou deixando o tempo
que me é destinado, com a esperança que passe devagar
seguindo numa só direcção
sem que me seja permitido voltar .
Não há trilho nem atalho
por onde possa fugir.
O relógio da vida começou a contar
e ninguém o consegue parar.
Do outro lado, nada consigo ver
mas sei que mora lá alguém
impossível de esquecer.
É a minha avó querida,
que me ajuda nesta travessia
controlando os meus passos
até chegar ao seu novo lar,
para que nos possamos abraçar.
Paula Loureiro
5/12/2007
paulaloureiro — 07-12-2007 GTM 1 @ 22:41
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Pergunto-me a mim mesma,
ou a quem me saiba responder,
que espécie de mundo é este,
onde estou a viver!?
Mundo de valores perdidos,
onde os fracos não são ouvidos.
Homens nus, de solidariedade despidos,
numa ambição desmedida,
onde a dor alheia não é sentida.
Pobres de espírito,
a maior de todas as pobrezas.
Seres vazios, cheios só de poder,
dominam o mundo, pesa-lhes a carteira,
e não enxergam,
que são miseráveis uma vida inteira.
O amor, a amizade,
a paz, a solidariedade,
não se compra, não se vende,
está escondida, mas encontra-se facilmente,
quando se dá, sem pensar em receber.
Será isto tão difícil,
ao Homem perceber?
Paula Loureiro
paulaloureiro — 05-12-2007 GTM 1 @ 20:16
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Não há tempo a perder.
O Natal está a chegar.
Presentes, embrulhos, sacos e mais sacos
recheados de enganos para ofertar.
Onde está o mais belo presente
que todos os dias se pode dar?
Não vejo, não sinto o Natal nos corações.
Cumprem-se tradições!
Brilham luzes, enfeita-se o pinheiro
deita-se o menino nas palhinhas
despido e aquecido por animais.
Quantos meninos existirão mais?
Deixemos de lado sentimentos fingidos
e vamos fazer o Natal brilhar
em qualquer altura, em qualquer lugar,
não esquecendo os que ao lado vivem,
começando pelo nosso lar.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 04-12-2007 GTM 1 @ 19:24
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Gosto de ti.
Desde quando, não sei.
Talvez desde o dia em que te conheci!
Ou mais tarde, quem sabe!?
Não me perguntes que espécie de amor é este,
que me fez esquecer todos os ensinamentos
gravando no papel pensamentos,
de uma estranha num corpo e alma
que pensava conhecer.
Não me perguntes se um dia te vou esquecer.
Vivo o presente sem futuro
com o pensamento num passado
que guardei só para mim.
As palavras chegam sem que as consiga evitar.
Escrevo-as para me lembrar
dos tempos que passei
dos dias em que no papel confiei
para as minhas mágoas desabafar.
Não quero esquecer as palavras doces que li,
do tudo e do nada que vivi!
O passado é meu, o futuro nada será.
O presente é o que vive em mim
e que nem sempre posso clarificar.
Sei que não te quero deixar,
que este amor não quero perder,
porque desde quando não sei
vivo apaixonada pelas palavras
no desejo de as escrever.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 05-11-2007 GTM 1 @ 23:09
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Sem abandonar o leme
da embarcação da vida
navego entre as vagas serenas
e as iras das marés
que surgem intempestivamente
sem piedade do casco já tão consumido
desta minha embarcação.
Quero alcançar o porto seguro
na enseada onde um dia ancorei,
consertar os danos da minha pobre barca
para prosseguir sem sobressaltos
o mapa traçado, até ao meu destino.
Tenho comigo a tripulação
que não vou abandonar,
recusando-me a partir
sem que me acompanhem nesta viagem,
para unidos chegarmos a bom porto
e alcançarmos assim a serenidade
por todos nós tão desejada.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 04-11-2007 GTM 1 @ 10:41
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Livres são as flores do campo,
que nascem sem serem semeadas,
são as gaivotas,
que sobrevoam o mar.
Nós humanos,
no meu pais,
festejamos a liberdade com cravos,
mas continuamos presos,
aos Salazares do mundo,
que nos impedem de sermos felizes,
que condicionam os nossos sonhos,
que democraticamente,
não nos deixam viver.
Continuamos numa prisão,
de onde ás vezes saímos,
mas temos sempre de regressar.
Olho para traz,
com medo de Abril já lá não estar.
Com que direito nos privas da vida?
Com que direito continuas vivo “Salazar”?
Paula Loureiro
paulaloureiro — 03-11-2007 GTM 1 @ 10:50
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É cidade alentejana,
a que trago no coração.
Viu nascer os meus antepassados,
falo de Évora,com emoção.
Do tempo que lá passei,
guardo recordações que nunca esqueci.
Momentos vividos em pequena,
que ainda hoje vivem em mim.
Recordo o Bairro de Santa Maria,
com as casas de branco caiadas.
E flores,
muitas flores,
em vasos plantadas.
Recordo as tardes soalheiras,
no pátio onde brincava.
Pessoas na soleira sentadas,
onde a amizade não faltava.
Não foi lá que nasci,
mas confesso que bem gostava.
Respondia, sou de Évora,
sempre que alguém me perguntava.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 03-11-2007 GTM 1 @ 10:45
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Homens valentes,
guerreiros,
amigos dos seus parceiros,
companheiros.
Tanta vez torturados,
suportando a dor,
mantendo-se calados,
lutaram por um ideal,
lutaram por Portugal.
País oprimido,
povo sem ser ouvido,
medo e pavor,
estampados nos rostos.
País sem liberdade,
povo da palavra privado,
perseguido, cansado!
Mas a luta não foi em vão,
e Abril surge então.
Na mão um cravo,
no rosto um sorriso,
mostra que o povo sabe o que quer,
quando é preciso.
Que não volte mais,
o sofrimento passado,
e as bocas caladas.
Que as prisões politicas,
continuem encerradas.
Lutem jovens,
honrem as batalhas,
por outros travadas. .
Que a nova geração,
os que existem e os que virão,
saibam agradecer,
aos Homens do passado.
Que não se esqueçam,
que vejam o que muitos não querem ver,
e que com olhos abertos para o futuro,
caminhem em liberdade,
na descoberta da verdade.
Paula Loureiro
12/12/2006
paulaloureiro — 03-11-2007 GTM 1 @ 10:42
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O amor e a paixão
são sentimentos que cegam,
são desejos incontroláveis
que permitem loucuras
só entendidas por quem já amou.
São corpos e almas que se unem
num desassossego que não tem fim,
numa ânsia de viver
como se o mundo fosse acabar,
e a quem ama fosse negado o tempo
para ao outro se entregar.
É um anseio de estar presente,
de ser a metade de alguém
que também nos reclama amor.
É o abolir da solidão
é a vontade de mostrar ao mundo
o quanto é bom adormecer
entre braços e abraços
de quem se ama,
silenciando gemidos com beijos
na intimidade da cama.
Paula Loureiro
paulaloureiro — 31-10-2007 GTM 1 @ 22:54
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