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Arquivo: Janeiro 2008

ALMA NUA

paulaloureiro 29/01/2008 @ 21:36

Sentes no teu corpo desprotegido

na tua alma nua

uma brisa que te faz tremer.

Vês raios de Sol que não te aquecem

fraquejando no calor, que não te chega ao coração.

Vives um tempo desconhecido

entre a Primavera e o Inverno

onde não sentes o calor do Verão

nem encontras o Outono por perto.

E é no desconforto que surge o conforto

de alguém que te cobre os ombros,

que te abraça e aquece o espírito

oferecendo a força que necessitas.

Já não é a brisa que te deixa trémula.

É o desejo de amares e seres amada

é o anseio de noutro corpo te sentires mulher.

Seguras agora o amor sem o deixar fugir.

Está a chegar a Primavera…

 

Paula Loureiro

29/01/2008

 

CORES DO TEMPO

paulaloureiro 24/01/2008 @ 20:27

Leio o livro da vida

procurando entender os porquês,

perguntando e respondendo a mim própria,

a razão de cada frase gravada nas folhas

que brutalmente vou desfolhando.

Procuro fundamento para o que desvendo,

salto as paginas que o vento vira

sem que nada faça para o impedir.

De capitulo em capitulo

encontro retratados momentos de felicidade

e papel molhado pelos olhos de quem o lê.

Prossigo a leitura e percebo,

a riqueza do que tenho nas mãos.

Leio agora calmamente sem o danificar.

Seguro-o de modo delicado.

Suavemente, sem pressa vou continuar.

Saboreio cada letra, cada palavra, cada frase,

e na tranquilidade que alcancei,

pagina a pagina  leio o  livro da vida.

O livro de tantas vidas,

o livro da minha vida!

  

Paula Loureiro

17/01/2008

 

       

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

NOVAS BESTAS

paulaloureiro 11/01/2008 @ 23:34

Leiam com atenção estas minhas palavras

pois não vos dedicarei muito tempo. 

Leiam bem suas BESTAS em forma humana

de memória tão curta e pensamento tão pequeno,

que vos permite esquecer ou simplesmente ignorar

o vosso próprio passado.

Têm hoje uma mesa farta, esquecendo os tempos

em que alguém suava para lá colocar pão.

Escondem envergonhados as raízes pobres

os pés  descalços ou os sapatos apertados

de alguém que deixou de os usar.

O caminhar para a escola com uma pobre merenda

na sacola de pano á tiracolo

de onde não saiu nenhuma lição de vida.

São BESTAS que circulam livremente

por um mundo de todos

onde nem todos aprenderam na mesma escola.

Babem–se para os pratos finos

onde vos são servidos manjares que vos deliciam

e cuspam nas malgas da sopa que vos fez crescer.

Admirem bem o toque suave da carteira de pele

de onde retiram tudo o que se pode comprar,

e no final, deitem a cabeça na vossa almofada.

Se não conseguirem dormir,

não contem carneiros.

Contem os verdadeiros amigos que têm,

o amor, que distribuem pelos que mais precisam

e certamente a contagem será curta.

Vão ficar acordados noite após noite

para que a insónia vos faça reflectir

o porquê de estarmos no mundo.

Suas BESTAS!!!

 

Paula Loureiro

11/01/2008

FLORES NO MEU JARDIM

paulaloureiro 06/01/2008 @ 11:34

                                   flores.jpg-São flores, amor!

São flores que trago no meu coração.

Vou planta-las no meu jardim.

Sim, aquele jardim que deixei de cuidar,

que me limitava a olhar, sem querer ver as flores secas,

as ervas daninhas que por ali foram crescendo.

Vou derrubar aquelas estátuas,

frias, imóveis, que não dão beleza á minha vida.

Agora…

São flores amor, são flores viçosas

que irão dar cor aquele pedaço de terra abandonado,

que ninguém cuidou.

Vê, admira as minhas flores:

Violetas de todas as cores

Cravos, CRAVOS, liberdade no meu jardim!

Amores-perfeitos, Antúrios, Lírios, Estrelícias, Margaridas,

Tulipas, Jarros com destino a alguém tão especial!!

Que mais, que mais queres ver no meu jardim?

Não. Não irei planta-las.

Espalharei no ar o seu perfume,

lembrar-me-ei da sua beleza,

mas rosas no meu jardim não vais encontrar.

Têm espinhos, amor

prontos para magoar, quem em Rosas não sabe mexer

sem neles se picar.

 

Paula Loureiro

6/01/2008.    

TEMPO PERDIDO

paulaloureiro 05/01/2008 @ 17:10

Segui as marcas do teu caminhar,

na esperança de te encontrar.

Percorri um caminho desconhecido,

com sabor a proibido,

e continuei a caminhar,

sem com o resto do mundo me importar.

Caminhos de estrelas, de Sol e Lua,

de terra batida e já tão pisada,

onde acabei por cair ,cansada.

Se sozinha estava, sozinha fiquei.

Nem aquela água prometida,

que mataria a minha sede, encontrei.

Não foste nada, além de um vazio.

Foste aquele que falava de amor,

que nunca se viu.

E ali me deixaste ao pó,

contigo tão perto, e eu tão só!

Não vou mais caminhar na tua direcção.

Não me chames nunca mais,

para ao teu encontro ir.

A vida é um caminho que sozinha vou seguir.

  

Paula Loureiro

 

LIMPAR O PENSAMENTO

paulaloureiro 05/01/2008 @ 16:59

Quero apagar do meu pensamento,

limpar da minha memória

tudo o que me causa sofrimento

e que não quero deixar para a história.

Falsas esperanças, ilusões,

amores e dissabores,

amigos que pensava ter

ficando algures escondidos

na hora de aparecer.

Vou apagar as horas tristes

e lembrar os bons momentos.

Acredito na felicidade

que vou tentar alcançar.

Aos poucos vou esquecer

as ilusões vividas

que não têm nada de bom para lembrar.

Foram embarcações com fundo de papel

tão fáceis de se afundar !

  

Paula Loureiro


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