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Arquivo: Novembro 2007

CONFISSÃO

paulaloureiro 05/11/2007 @ 23:09

palavras.jpg

Gosto de ti.

Desde quando, não sei.

Talvez desde o dia em que te conheci!

Ou mais tarde, quem sabe!?

Não me perguntes que espécie de amor é este,

que me fez esquecer todos os ensinamentos

gravando no papel pensamentos,

de uma estranha num corpo e alma

que pensava conhecer.

Não me perguntes se um dia te vou esquecer.

Vivo o presente sem futuro

com o pensamento num passado

que guardei só para mim.

As palavras chegam sem que as consiga evitar.

Escrevo-as para me lembrar

dos tempos que passei

dos dias em que no papel confiei

para as minhas mágoas desabafar.

Não quero esquecer as palavras doces que li,

do tudo e do nada que vivi!

O passado é meu, o futuro nada será.

O presente é o que vive em mim

e que nem sempre posso clarificar.

Sei que não te quero deixar,

que este amor não quero perder,

porque desde quando não sei

vivo apaixonada pelas palavras

no desejo de as escrever.

 

Paula Loureiro

ENTRE MARÉS

paulaloureiro 04/11/2007 @ 10:41

Sem abandonar o leme

da embarcação da vidamar.jpg

navego entre as vagas serenas

e as iras das marés

que surgem intempestivamente

sem piedade do casco já tão consumido

desta minha embarcação.

Quero alcançar o porto seguro

na enseada onde um dia ancorei,

consertar os danos da minha pobre barca

para prosseguir sem sobressaltos

o mapa traçado, até ao meu destino.

Tenho comigo a tripulação

que não vou abandonar,

recusando-me a partir

sem que me acompanhem nesta viagem,

para unidos chegarmos a bom porto

e alcançarmos assim a serenidade

por todos nós tão desejada.

Paula Loureiro

LIBERDADE ONDE ESTÁS?

paulaloureiro 03/11/2007 @ 10:50

Livres são as flores do campo,
que nascem sem serem semeadas,
são as gaivotas,liberdade_do_pensamento.jpg
que sobrevoam o mar.
Nós humanos,
no meu pais,
festejamos a liberdade com cravos,
mas continuamos presos,
aos Salazares do mundo,
que nos impedem de sermos felizes,
que condicionam os nossos sonhos,
que democraticamente,
não nos deixam viver.
Continuamos numa prisão,
de onde ás vezes saímos,
mas temos sempre de regressar.
Olho para traz,
com medo de Abril já lá não estar.
Com que direito nos privas da vida?
Com que direito continuas vivo “Salazar”?

Paula Loureiro

TEMPOS QUE LÁ VIVI

paulaloureiro 03/11/2007 @ 10:45

É cidade alentejana,
a que trago no coração.
Viu nascer os meus antepassados,
falo de Évora,com emoção.
Do tempo que lá passei,
guardo recordações que nunca esqueci.evora.jpg
Momentos vividos em pequena,
que ainda hoje vivem em mim.
Recordo o Bairro de Santa Maria,
com as casas de branco caiadas.
E flores,
muitas flores,
em vasos plantadas.
Recordo as tardes soalheiras,
no pátio onde brincava.
Pessoas na soleira sentadas,
onde a amizade não faltava.
Não foi lá que nasci,
mas confesso que bem gostava.
Respondia, sou de Évora,
sempre que alguém me perguntava.

Paula Loureiro

Á LIBERDADE

paulaloureiro 03/11/2007 @ 10:42

Homens valentes,
guerreiros,
amigos dos seus parceiros,liberdade.jpg
companheiros.
Tanta vez torturados,
suportando a dor,
mantendo-se calados,
lutaram por um ideal,
lutaram por Portugal.
País oprimido,
povo sem ser ouvido,
medo e pavor,
estampados nos rostos.
País sem liberdade,
povo da palavra privado,
perseguido, cansado!
Mas a luta não foi em vão,
e Abril surge então.
Na mão um cravo,
no rosto um sorriso,
mostra que o povo sabe o que quer,
quando é preciso.
Que não volte mais,
o sofrimento passado,
e as bocas caladas.
Que as prisões politicas,
continuem encerradas.
Lutem jovens,
honrem as batalhas,
por outros travadas. .
Que a nova geração,
os que existem e os que virão,
saibam agradecer,
aos Homens do passado.
Que não se esqueçam,
que vejam o que muitos não querem ver,
e que com olhos abertos para o futuro,
caminhem em liberdade,
na descoberta da verdade.

Paula Loureiro
12/12/2006


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